Daniel mantém política de luta contra o crime e violência
Nos últimos anos, a queda dos números da criminalidade é expressiva, fruto de políticas públicas e ações pontuais que tem mudado o cenário no estado
Dalvina Nogueira
Segurança é foco principal de campanha do atual governo
Goiás atravessou, na última década, uma mudança significativa nos indicadores de violência, principalmente com morte. O estado, que chegou a figurar entre um dos mais violentos do país, com alta taxa de homicídio do país, passou a registrar quedas sucessivas nas mortes violentas. A redução já aparece em bases oficiais e em estudos realizados em âmbito nacional, embora os números possam variar conforme a metodologia utilizada e o tipo de crime analisado.
Em 2015, Goiás registrou 44,1 mortes violentas por 100 mil habitantes, segundo uma análise do Instituto Mauro Borges, o órgão oficial de estudos e estatísticas do estado. Naquele ano, Goiás ocupava a quinta posição entre as unidades federativas mais violentas do Brasil. O índice era próximo ao registrado por países que enfrentavam graves problemas de violência, como Honduras, por exemplo. O levantamento também apontou que seis municípios goianos estavam entre os cem mais violentos do país.
Por volta de três anos depois, em 2018, o estado contabilizou cerca de 2,7 mil homicídios. A quantidade, registrada pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. Preocupava porque a situação não era definida apenas pelas estatísticas. Durante o período anterior a 2019, Goiás também foi palco de crimes que provocaram comoção nacional e passaram a fazer parte da memória da violência no estado.
Em 2012, a chacina de Doverlândia, no sudoeste goiano, terminou com sete pessoas assassinadas em uma propriedade rural. O caso chamou atenção pela brutalidade e mobilizou as forças de segurança durante a investigação. Parte dos corpos foi encontrada no banheiro da sede da fazenda e outras vítimas foram levadas para uma estrada próxima, segundo informações divulgadas na época.
Em 2014, Goiânia ganhou projeção nacional por causa da série de assassinatos atribuída a Tiago Henrique Gomes da Rocha. Ele foi preso acusado de matar diversas mulheres, a maioria jovens e atraentes, sendo que a maioria estava em situação de vulnerabilidade, em vias públicas e em situações às quais qualquer goianiense poderia estar exposta, o que aterrorizou a população por várias semanas. A sequência de crimes provocou medo entre moradores da capital e repercutiu em programas jornalísticos de todo o país.
Também eram frequentes as notícias sobre ataques a bancos, roubos de cargas, assaltos a carros-fortes, disputas entre grupos criminosos e homicídios associados ao tráfico de drogas. Em algumas regiões, a presença de organizações criminosas e a dificuldade de investigação contribuíam para a sensação de perda de controle do crime no estado. Além da violência comum, as denúncias de violência policial também faziam parte do debate, quando o assunto era falta de segurança e violência.
A partir de 2019, os registros de homicídios começaram a apresentar uma trajetória de queda. Naquele ano, foram contabilizados 2.251 casos, segundo a série histórica utilizada em levantamentos estaduais. Em 2020, o número ficou em 2.209; em 2021, caiu para 1.863; e, em 2022, chegou a 1.784. Em 2023, uma das bases divulgadas registrou aproximadamente 1.583 homicídios.
A evolução foi identificada por diferentes levantamentos. Em 2025, o Governo de Goiás informou uma redução de 44,6% nos homicídios entre 2018 e 2023. A comparação também aparece em análises baseadas no Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo reúne dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e trabalha com critérios próprios de classificação.
Segundo o Atlas da Violência divulgado em 2026, a taxa de homicídios em Goiás caiu 43% entre 2019 e 2024. Em uma comparação mais ampla, considerando a última década, o estado apresentou uma das maiores reduções do país e passou a figurar entre as unidades federativas com as menores taxas de homicídio. O levantamento apontou que Goiás registrou a segunda maior queda proporcional no período de 2014 a 2024 , e alcançou a sétima menor taxa nacional no ano mais recente analisado.
A mudança coincidiu com a adoção de uma nova estratégia de segurança pública a partir de 2019, quando Ronaldo Caiado assumiu o governo estadual. A administração passou a concentrar esforços na integração entre as polícias Militar e Civil, a Polícia Penal e os órgãos de inteligência. Operações contra grupos criminosos, reforço do policiamento ostensivo e ampliação da investigação de homicídios passaram a ocupar espaço central na política de segurança.
O governo atribuiu parte da queda dos índices a essa estratégia. Especialistas, entretanto, ressaltam que a criminalidade é influenciada por diversos fatores, como condições econômicas, alterações demográficas, circulação de armas, atuação das organizações criminosas, mudanças no sistema prisional e tendências nacionais.
Um dos aspectos destacados nos levantamentos é o aumento da capacidade de esclarecimento dos homicídios. Dados divulgados nos últimos anos indicam que Goiás solucionou aproximadamente 86% dos assassinatos, índice que colocou o estado entre os melhores resultados do país. A elucidação dos crimes é considerada um fator importante para reduzir a impunidade, identificar lideranças criminosas e interromper ciclos de vingança. Assim, a melhora na investigação é apontada como um dos fatores que contribuíram para alterar a resposta do Estado aos crimes violentos.
A queda dos homicídios veio acompanhada de redução em outros indicadores. Entre janeiro e setembro de 2024, o governo informou diminuição de 67,9% nos roubos de carga. Em outro recorte, referente ao primeiro trimestre daquele ano, foram registrados 13 roubos de carga em 2023 e apenas um em 2024, uma queda de 92%. Os dados foram elaborados pelo Observatório de Segurança Pública de Goiás a partir dos Registros de Atendimento Integrado.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública também registrou uma redução de 16,4% na taxa de Mortes Violentas Intencionais em Goiás entre 2023 e 2024. Essa categoria é mais ampla do que homicídio e inclui mortes decorrentes de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e intervenções policiais. Em 2025, informações divulgadas sobre o Mapa da Segurança Pública indicaram nova queda nos homicídios dolosos, de 16,28% em relação ao ano anterior.
A política de segurança implementada durante o governo Caiado passou a ser apresentada como uma mudança de longo prazo, baseada na presença policial, no uso de inteligência e no enfrentamento direto às organizações criminosas.
Segundo informações do próprio Governo, a atual administração, comandada por Daniel Vilela, mantém a política de segurança pública como uma das prioridades do estado e apresenta suas ações como continuidade da estratégia adotada a partir de 2019. O governo afirma que pretende preservar a integração entre as forças policiais, ampliar o combate ao crime organizado e manter os investimentos em equipamentos e viaturas.
Em abril de 2026, foram anunciados R$ 44,8 milhões para a aquisição de equipamentos e veículos destinados às forças de segurança. Também foi realizada uma operação ampliada, com reforço do efetivo e ações preventivas e ostensivas em diferentes regiões. A proposta é manter o cenário dos últimos ano, com a sequência de quedas registrada e evitar que grupos criminosos retomem áreas de influência.
Mulher em foco
A violência contra as mulheres é um dos principais pontos de atenção não só em Goiás, como em todos os Brasil, principalmente diante do cenário que aponta para o aumento de feminicídio em todo o território nacional. O Atlas da Violência identificou que Goiás está entre os estados em que houve aumento dos assassinatos de mulheres em determinado período analisado. Os feminicídios e as tentativas de feminicídio apresentam dinâmica própria e, em grande parte dos casos, ocorrem no ambiente doméstico. Por isso, a redução geral dos homicídios não significa necessariamente uma melhora uniforme em todas as modalidades de violência.
Também existem diferenças importantes entre os municípios. Levantamentos recentes apontaram Planaltina de Goiás, Luziânia e Senador Canedo entre as cidades com maiores taxas de homicídio do estado. A realidade desses municípios não é necessariamente a mesma de Goiânia, de cidades do interior ou de regiões com menor densidade populacional. A média estadual, portanto, pode esconder áreas em que a violência continua acima do padrão observado no conjunto de Goiás.
Embora seja um cenário complexo no qual existem várias nuances de influência, é certo que o governo de Ronaldo Caiado teve papel central na definição da estratégia adotada a partir de 2019, ao colocar a segurança pública entre as prioridades da administração e ampliar a atuação integrada das forças policiais. Como Daniel Vilela decidiu dar continuidade a essa política, com o argumento de que a manutenção das ações é necessária para consolidar os resultados, a expectativa é que haja a consolidação desse avanço, sendo essa uma das principais plataformas defendidas pelo atual governador em sua campanha a eleição deste ano.

